Cliente Oculto: Diletto, para com isso!

Saiu na revista Exame uma matéria sobre storytelling, que é uma prática cada vez mais comum no mercado. Originalmente o storytelling é o ato de contar histórias. Com certeza você já ouviu pelo menos uma história que sobrevive gerações? É por aí. Ai a publicidade e o marketing viram que contar uma história envolve, dá credibilidade e até convence pelo coração que sua marca é legal demais, que aquele produto vale a pena…

Eu adoro uma história bem contada e vejo que tem muita marca e empresa que carrega consigo uma trajetória que mereceria livro, dá para aprender muita coisa. O lance é que agora não dá para confiar em qualquer história, pois existe uma onda de histórias fantasiosas para não dizer falsas. É o caso da Diletto, uma marca de picolés e sorvetes com pegada italianinha.

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História da Diletto: O sr Vittorio Scabin criava na Itália sorvetes artesanais e com a Segunda Guerra Mundial, ele veio para o Brasil. Leandro Scabin, neto de Vittorio deu prosseguimento a tradição familiar. Legalzão ne? O grande problema é: Vittorio NUNCA fabricou sorvetes, era jardineiro. Segundo Leandro, a história impulsionou o crescimento da marca e que isso ajudou também a justificar o alto valor do produto, em média 8 reais por picolé delicia.

Ai meus amigos, vou contar a vocês um segredo: eu amo picolé de pistache da Diletto. Eu compro, me sento e tomo o bendito com a maior calma do mundo, saboreando aquela delicia semi cremosa. É um momento único e bem feliz, é o que eu chamo de orgasmo alimentar. Além do prazer, mexe picolé/sorvete com a minha memória, tenho na lembrança um tantão de momentos legais na infância relacionadas a sorvete principalmente.

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O que justificava a minha compra era a qualidade e o meu prazer. Gostava do produto e achava muito legal o design da embalagem também. Ninguém precisou me comover com uma história. Para mim o produto é tão bom que é um sucesso sem a história. Pode ser que no emocional do netinho isso ajudou no retorno ou foi um pouco mais rápido, mas isso pode custar caro a Diletto.

Agora o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) está no pé da Diletto e dos sucos “do bem”. O pessoal da Diletto soltou uma nota que a história tomou uma proporção maior que deveria, que ela tem um caráter mais lúdico mas que representam os valores e referências reais e que eles cumprem o que prometem com relação a questão produto (sorvete premium com ingredientes de alta qualidade).

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Beleza, mas e a entrevista? Me digam, se a história não é 100% real, para que ir a público e contar? Não gosto de mentira, mas ainda concordo com o ditado “o que os olhos não vêem, coração não sente”. Em outra matéria li que o vovozão era da região de Vêneto, tradicionalíssima pelos gelatos maras. Não está suficiente assim? Eu ficaria convencida pois contribuiu para um conhecimento que não tinha e ainda me deixou com vontade de dar um pulinho “ali” em Vêneto para tomar uma bolinha de sorvete.

No meu entender, a história é uma parte da marca ou produto. Se ele não for bom, não tem blablablá (mesmo que seja verdadeiro) que me convença que ele vale a pena. Qualidade é o item que mais pesa na minha decisão de compra, depois vem o preço, facilidade de acesso, design e história. Hoje eu não tomo Diletto. Não pela mentira, mas por tentarem suavizar a burrada. Posso parecer boba, mas não sou, ninguém gosta de ser enganado e tampouco engolir desculpas esfarrapadas. Pede desculpa logo e bola para frente! É mais digno e horaria muito mais a lembrança do vovô.

 Matérias sobre a história aqui, aqui e aqui.

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1 Comment on Cliente Oculto: Diletto, para com isso!

  1. PriNo Gravatar
    08/12/2014 at 08:27 (1 ano ago)

    Camis,
    Onde encontro em bh aquela blusa linda q vc postou da Primart?
    Obrigada!bjao

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