Pãoterapia

Eu gosto de comer e agora tô gostando de cozinhar. Aqui em Minas comer é mais que alimentar, comer é socializar, um carinho, quase uma prova de amor. O que eu não imaginava é que cozinhar seria parte do meu processo terapêutico. Durante a minha ultima sessão na terapia eu comentei como estava o meu processo nesta parte e como isso me fazia bem. Já comentei que sou muito ansiosa e cozinhar pede um bocado de calma, paciência e dedicação assim como vários momentos em nossas vidas.

Leo comprou para nós o livro Pão Nosso. Um casal de amigos dele tem o livro e indicou pois além de receitas de pães, tinha a receita do fermento natural (levain). Aí veio um real desafio, pois o fermento natural é um misto de alquimia e drama pois os processos não dependem somente de juntar ingredientes, tenho que contar gentilmente com as bactérias que fazem a fermentação, a temperatura ideal e o tempo certo de acordo com o aspecto visual do fermento (se cresceu, se tem bolhas). Eu ainda não terminei o meu “levain”, previsão de término para amanhã.

Praticamente todo mundo que comentei sobre os benefícios de fazer pães para a ansiedade ligou a parte da sova. Sovar a massa consiste em amassar os ingredientes com as mãos sobre uma superfície deixando a mistura homogênea, usando ou não a força. Algumas expressões eram recorrentes quando falei do processo de fazer o pão: socar, bater, esmurrar. Quantas vezes na vida pensamos em dar um soco em alguém para liberar a nossa raiva? Isso super funciona, mas é momentâneo e pode causar problemas. E a minha pergunta é? Soluciona a questão? Não.

Agir com agressividade é uma forma de tentar resolver algo de forma mais imediata e muitas vezes não está ligado a racionalidade e sim ao instinto. Tomei várias decisões no impulso/pressa/raiva/pressão e me arrependi de várias porque depois eu sempre acho uma solução melhor. Fazer pão não é só misturar ingrediente e por para assar, tem massa que pede sova (pouco ou muito), tempo para a massa crescer, cortar a massa e colocar na assadeira, esperar o crescimento da massa na assadeira e assar. Tem que esperar até para comer em determinados casos.

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Temos que respeitar o tempo de cada um. Partindo dos pães indo até as pessoas. Inclusive respeitar o próprio tempo, já o mundo nos cobra ações, respostas e decisões praticamente instantâneas. Qual a necessidade de responder a mensagem no whatsapp de forma imediata? Antigamente nem telefone as pessoas tinham direito e todo mundo vivia mais tranquilo. Ai se não responde na hora as pessoas ficam numa paranoia sem fim, criando mil e uma teorias para entender a possível rejeição. Se viu e não respondeu: quase morte.

Se quero fazer pães gostosos, tenho que respeitar o tempo, tenho que ser paciente e atenta aos sinais que ele me dá para conduzir o feitio da melhor forma. Na vida também é assim, analisar situações, correr certos riscos pois não temos o controle de tudo e se posicionar sem que minha decisão seja um peso enorme. Vamos deixar o peso para as sacolas recheadas de ingredientes para as próximas receitas. Ok?

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Camila Gomes é mineira, mora em Belo Horizonte e se formou em Artes Plásticas. Cresceu vendo sua mãe costurar e escutando histórias sobre sua avó estilosa. Acredita que a moda é um modo de se comunicar assim como cuidar da beleza é reservar um tempo para si. Mesmo que sejam apenas cinco minutos... Quer conversar mais comigo? Me mande um email! contato@srtasenhorita.com

2 thoughts on “Pãoterapia

  1. EmmanuelNo Gravatar

    Livro Pão Nosso do Chico Xavier?

  2. Camila GomesNo Gravatar

    Não, do Luiz Americo Camargo.

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