#belorizontices: Badejo (+reflexão sobre crítica)

O blog foi por conta própria.

Badejo é um restaurante já tradicional em BH. Local clássico para quem quer comer peixe, sendo mais específica: moqueca capixaba. É muito comum encontrar a moqueca baiana por ai, a capixaba é mais leve por não levar azeite de dendê, leite de coco e condimentos mais fortes como a pimenta. No Espirito Santo a moqueca é feita na panela de barro que deixa um sabor peculiar, eu gosto bastante. O pirão e arroz também são feitos na panela de barro, o arroz é bom de observar a diferença já que não tem tanto tempero. Não sei qual é a melhor, tanto a baiana como a capixaba são moquecas deliciosas e valorizam muito o peixe se bem feitas.

Fui ao Badejo algumas vezes, sempre com meus pais. Minha mãe cozinha bem e ela é muito atenta quando come fora de casa para captar e reproduzir alguns pratos ou detalhes em casa. Na nossa penúltima visita ao Badejo, pedimos uma moqueca de peixe com camarão, demorou pra chuchu e quando chegou o peixe estava borrachudo. Geralmente isso acontece quando o peixe é submetido a altas temperaturas. O corte estava esquisitão: quadrado! Nunca vi isso na minha vida.

Eu comentei com mami e ela teve a mesma impressão que eu. Pensei em reportar isso ao garçom mas sendo bem sincera, eu me sinto desconfortável de falar quando algo não está legal. Já reclamei algumas vezes e na grande maioria vi que existe uma má vontade e um enorme descrédito na reclamação. Uma carne com ponto errado, massa muito cozida, ausência de ingredientes-chave, demora, comida fria… Ninguém gosta de levar chamada, bronca, dedo na ferida. Tem que saber reclamar e saber receber a reclamação, a linguagem correta é essencial como um tempero bem dosado.

Por me sentir desconfortável eu não falo nada, apenas se for algo muito gritante. Aqui no Srta eu uso o espaço para comentar certos pontos que me incomodaram, tento fazer da forma mais delicada. Muita gente comenta que para fazer uma crítica é preciso visitar o restaurante algumas vezes. Nem sempre temos esta oportunidade ou queremos. Raros são aqueles que querem pagar para ver se o chef teve um mau dia ou se é ruindade mesmo. A oportunidade muitas vezes é única.

Recebo convites para ir a restaurantes, bares, cafés. É ótimo, muitas vezes é a oportunidade de conversar com o dono, chef, pessoal do serviço, ir até a cozinha… Demonstra também que as pessoas acompanham as minhas postagens e elas tem alguma valia. Mas também tem um lado mais tenso que é de falar coisas que as vezes não dão certo, que não ficaram tão boas ou simplesmente porque é ruim.

Tô tentando achar uma fórmula ideal, lendo livros, pesquisando textos de críticos, cozinhando e vendo videos de preparo. Estudo, muita hora bunda para entender e ter a humildade de perguntar e buscar no google sempre que necessário. Os textos mudaram desde o inicio da tag, estão mais cuidadosos. Decidi que vou sinalizar as postagens que vou por minha conta e convites, tanto nos textos do blog como no instagram… Mais honesto né?

Não sou e nem pretendo ser crítica de gastronomia, prefiro dizer que é uma análise. Quero passar as experiências que tenho de forma mais completa, verdadeira e rica. Sem paixões, sem compromissos com restaurantes, assessorias ou amizades. Apesar do blog não ser mais o meu trabalho, levo com seriedade pois entendo que é o trabalho de muita gente e estes não merecem que uns poucos sujem o puleiro da galera.

Seria bem mais simples falar bem de tudo, mostrar tudo, ir em todos os eventos e dizer que aquilo tudo é uma maravilha. Tem gente que faz isso, não julgo, mas ficaria puta da vida (desculpa) de ir num lugar que um influenciador indicou e ter uma experiência sofrível. Vejo que a webgastronomia está num ritmo muito parecido com o da moda uns anos atrás, vendendo sua verdade por muito pouco. Cada um fazendo o seu, com seu público e consciência. Confesso que já dei as minhas derrapadas, me arrependo de uns textos e fotos que publiquei, mas tô mais certa que o melhor é tratar da verdade com suavidade, educação e respeito ao trabalho de quem batalha para trazer o melhor de si para a nossa mesa. Acredito que alguns ficarão zangados comigo, mas quem me acompanha merece todo meu respeito também.

Voltando ao Badejo. Meu pai nos convidou para ir ao Badejo novamente, ele não achou nada de anormal no peixe. O paladar dele não é confiável. Depois daquela experiência, eu não queria voltar lá. Mas nem eu e nem minha mãe queríamos cozinhar e fomos. É bem raro dar uma segunda oportunidade quando acontece algo muito grave. E foi bom, o peixe estava na normalidade. Quadrado, mas na normalidade. O sabor estava impecável, com um nível aceitável de coentro e cebolinha. O pirão bem lisinho, sem bolotas de farinha de mandioca, vontade de comer pirão + arroz + pimenta. O pirão é feito com o caldo da moqueca + farinha de mandioca, o preparo requer certa paciência para não empelotar. Ah, comidas de molho ou cremosinhas pedem pimenta, vale experimentar com pimenta mesmo, molho costuma ser azedo. E a pimenta lá é boa, cuidado.

Badejo faz umas promoções sempre, recebemos pelo telefone. Da ultima vez pagamos 79 reais na moqueca de peixe com camarão que serviu 3 pessoas. A conta deu 105 reais com bebidas não alcoólicas. Comemos bem, sobrou arroz e um pouco de pirão pois optarmos por comer mais peixe e camarão puro. Recentemente saiu uma matéria sobre restaurantes e promoções, acho válido assim como abrir na hora do almoço, rever um cardápio muito extenso que depende de uma despensa muito grande e onerosa, pegar leve com o raio gourmetizador, usar produtos locais e sazonais… Muitas casas fecharam em BH, ultimamente vejo que os valores aumentaram consideravelmente e os salões cada vez mais vazios. Eu reduzi minhas saídas, como cada vez mais em casa e sei de várias pessoas que estão no mesmo embalo. Hora de rever para sobreviver

Blog Sim, Senhorita | Belorizontices | Belo Horizonte | Camila Gomes | Badejo

Categoria: almoço, jantar, peixes e frutos do mar, comida capixaba, comida típica

Ponto Forte: Moqueca de peixe e camarão

Ponto Fraco: Comemos um bolinho de bacalhau e achamos pequeno apesar de bastante gostoso.

Gasto Médio: R$40,00 sem bebida alcoólica

Onde fica:

Rua Rio Grande do Norte 836 Savassi

Tel (31) 3261 2023

Confirme os dias e horários deles pelo facebook.

#belorizontices: Borracharia Gastrobar

O blog foi por conta própria.

Fui pela primeira vez na Borracharia uns 3 anos atrás, com meus pais e um casal de amigos. Sendo bem sincera, me lembro bem pouco deste dia, mas me recordo bem que lá tinha uma costela de porco sensacional e que a cerveja estava bem gelada. E só. O local é bem peculiar, fica na parte lateral de um posto de gasolina no alto da avenida Afonso Pena. Sugiro que use algum programa de navegação para indicar o local pois há risco de passar direto já que não é muito visível. A decoração acompanha o nome, pneus e equipamentos de borracharia espalhados pelo espaço. Tem um ambiente interno e o externo, em épocas mais frias, leve casaco pois a região venta muito. A iluminação me incomoda um pouco, acho um pouco escuro, gosto de ver o que como com clareza. Quero que a comida olhe para mim, me seduza. Sempre opto por mesas mais iluminadas quando vou lá, mas quando está cheio nem sempre isso é possível.

Vamos aos comes? Ano passado eu fui a um jantar que o Jaime Solares preparou, me lembro com muito carinho do peixe perfeito que ele serviu no dia. O peixe estava no ponto, macio, desfazendo no toque do garfo. Para acompanhar tinha purê de batata doce e tomatinhos confit. A entrada também foi excelente, um steak tartare de carne de sol. Confesso que tenho um pouco de resistência/medo do carne e ovo cru no steak tartare, muita coisa crua e perecível, mas foi tranquilo graças a carne de sol. Também comemos doce de leite com queijo. Estava muito bom e grande parte do sucesso foi o queijo curado. Conversando com Jaime, eu perguntei onde ele comprava queijo, ai ele comentou que era no Mercado do Cruzeiro, a loja chama Nectar do Cerrado. Vale a visita!

No meu retorno com meu pai e irmão, pedimos uma porção de linguiça com mandioca cozida e costela de porco ao molho de laranja e farofa. A linguiça é tipo caseira porém sem aquela gordurada que é bem comum. Frita e bem sequinha, chama realmente uma cerveja gelada ou uma caipi (não tomei no dia mas tem várias opções interessantes de drinks. Lá eles trabalham com a cachaça Spiral, que é ótima!). A mandioca cozida veio derretendo. Cês não acham desagradável mandioca cozida dura? Nossa, as pessoas deveriam ter vergonha de servir mandioca dura kkk. Quem não gosta de cebola, peça sem pois vem muita. Eu adoro e queria refil.

Vamos ao principal, a costelinha ao molho de laranja com farofa feita com farinha panko. Todo lugar tem costela de porco ao molho barbacue, acho uma delícia, mas nem todo mundo consegue preparar a costela bem, limpa-la ou ter uma costela com carne (os ossos nós levamos pro cachorro, mas tanto nós como o Rex queremos um pouco de carne também, pode ser? rs). Carne de porco parece fácil, mas pode ficar seca facilmente. A costelinha do Jaime é cozida lentamente em baixa temperatura e leva um molho de laranja que é excepcional pois agrega o doce e a acidez da fruta que combinam bem com porco. Ah, o molho leva mostarda dijon e mel!

Quando fui, eu não me lembrava se a farofa era feita com farinha panko. Panko é bem comum na culinária japonesa, ótima para empanar, tipo uma farinha de pão (feita com pão velho ralado, nada além disso!) mais grossa. Bão, mas achei que a farofa ficou a desejar, pois não estava com muito sabor, ficou meio deslocada tanto é que sobrou. Eu imaginei uma farofinha de farinha de mandioca lotada de manteiga mesmo, sem muita confusão. Seria o óbvio, talvez sim. Mas o molho e ponto da costela me surpreenderam tanto que não ligaria de ser o básico das farofas.

Quero voltar para comer o parmegiana e almoçar, tem prato diferente todo dia. Usei Chefsclub, ajuda bastante nas contas ultimamente, mas não é um local caro e com porções resumidas. Gosto da apresentação dos pratos, apesar da proposta ser mais simples (do espaço e louças), existe um cuidado, a comida não é jogada de qualquer jeito. Elegância na simplicidade. E quem observar, verá que a gourmetização é leve, nada de afetação ou pratos sensação do momento.  Dá para comer burrata com vinho ou linguiça com caipirinha, fica a cargo do freguês.

Categoria: bar, almoço, amigos

Ponto Forte: Costelinha de porco, sem dúvidas.

Ponto Fraco: Ambiente escondido e um pouco escuro.

Gasto Médio: R$50,00 sem bebida alcoólica

Onde fica:

Avenida Afonso Pena, 4.321 – Serra

Telefone: (31) 2127-4321

Confirme os dias e horários deles pelo facebook.

#belorizontices: Slow Burger

O blog foi convidado pelo estabelecimento. Aqui em BH é assim: vem uma modinha e vários lugares com um produto ou estilo brotam por ai. Abrir um negócio não é fácil e nem barato, muitas pessoas optam por franquias por já apresentarem um modelo pronto e teoricamente consolidado no mercado. Uns anos atrás, o Bacon Paradise abriu, virou franquia e logo se multiplicou com seu cardápio recheado de bacon em...

#belorizontices: Paradiso

Paradiso numa casa antiga bastante simpática no bairro Santo Antônio. Fui pela primeira vez com Leo, o restaurante nos pareceu agradável e é pertinho da casa dele. Depois fui a convite da Mariana, assessora do Paradiso. Tanto de dia como de noite o lugar é um charme, bem gostoso, discreto e fora do circuito do Lourdes. Existem bons restaurantes fora de lá gente, acreditem. Tem dia que não queremos muitas inovações,...

#belorizontices: L´Entrecôte Bistrô

Recebi um convite da Fabi para ir ao L´Entrecôte Bistrô. Ela faz rede sociais de vários restaurantes bacanas em BH. E é uma pessoa que gosto de conversar. Queria muito conhecer o restaurante, que veio antes da sua prima, a L´Entrecôte de Paris e ver as diferenças entre as duas casas. Inicialmente, o esquema das duas casas era bem parecido: prato único com um pedaço de entrecôte (corte bovino da parte anterior das costelas) com molho secreto e batata frita (quem quiser pode repetir heheh). O molho secreto tem mostarda, mas o do Bistrô eu senti que tinha mais especiarias (uma pitadinha de canela possivelmente).

Primeiro comemos um steak tartare (prato de carne de vaca crua picada, misturada com vários condimentos e servida com uma gema de ovo crua) e uma saladinha de mix de folhas verdes, tomate-cereja, nozes e molho de iogurte natural. Para acompanhar o steak, uma cestinha de pães, fritas e um molhinho com mostarda em grãos. Confesso que ficaria numa boa no Steak + molhinho + batata, nem queria muito o pão. Virou uma combinação mais que perfeita.

Com o tempo, variações surgiram do prato principal. Sai a batata frita e entra o fettuccine Alfredo, fritas rústicas (cozidas e fritas com casca) ou legumes salteados na manteiga. Tudo funciona com a carne, que você pode indicar o ponto. Nem todo mundo gosta de ver aquela piscininha vermelha no prato, eu sou destas. As vezes solicito o “ao ponto pro bem passado”, para não sacrificar tanto o gosto da carne. Batatas  vieram no ponto, crocantes por fora e cozidas por dentro, o fettuccine al dente com o molho bem feito, cheio de manteiga e tempero na medida. Já comi alguns Alfredos sem sal, ai não como em qualquer lugar mais pois é o tipo de prato que pede tempero se não fica sem graça.

Para finalizar, a mousse de chocolate. Iria lá só para comer a mousse, ela é deliciosa. E tinha tempos que eu não comia mousse tão boa, cremosa, chocolate de qualidade e farta. O garçom chega com um bowl grandão de mousse  e a serve de colheradona no prato. Um momento de muita felicidade de ver tanto doce, quem é formiga ou chocólatra entenderá o que estou falando. Sobremesa boa para os dias mais furiosos da TPM, ela dará conta certamente.

Não vá lá pensando em dieta, tudo bem que tem a opção com legumes salteados na manteiga (que não é tão magro assim). O local é tão charmoso e acolhedor como a comida. Uma portinha bem discreta, local com mobília simples, como aqueles bistrôs charmosos que vemos nas comédias românticas em que a mocinha encontra com o mocinho e o final é sempre feliz. Se não encontrar com o mocinho ou a mocinha, pense que a comida valerá muito a pena e será uma companhia excelente.

Categoria: almoço, jantar, comida francesa, comida típica

Ponto Forte: L´Entrecôte tradicional com fritas

Ponto Fraco:

Gasto Médio: R$70,00. Sem bebida alcoolica

Onde fica:

Rua Marilia de Dirceu 116, Lourdes

(31) 2515-2811

Abre todos os dias, fique atento para os horários (no facebook deles está especificado)