#viaja: Comer e beber no Uruguai

Fizemos pesquisas sobre quais as comidas e bebidas típicas no Uruguai e fizemos buscas dos melhores lugares que em que poderíamos prová-los. Durante a pesquisa, reparei que Montevidéu não tem restaurantes de alto luxo com alta gastronomia em destaque (ou não encontramos em nossa pesquisa). A cidade fez sua fama nos Chivitos e Parrillas, que pedem mais informalidade. Mas nem sempre informalidade está relacionada com preços mais baratos, comer é caro no Uruguai. Fique atento pois os pratos são em geral grandes e dá para dividir numa boa! Em compensação, quem gosta de vinho passará muito bem e não terá dificuldade de encontrar rótulos muito bons com preços justos.

Chivito al plato – Recoleta

Quem for ao Uruguai encontrará com facilidade o chivito. Sabe aqueles sandubas estilo “tudão”? Chivito é um “tudão” com bife de carne macia passada na chapa. Geralmente leva carne de vaca, ovo frito, tomate, presunto, queijo, tomate, azeitona, maionese. Algumas versões tem outros ingredientes, ai vai de acordo com o freguês. O chivito é enorme e geralmente vem com batata frita acompanhando. Nosso primeiro chivito foi a versão “al plato” que não vem pão, mas veio a “rusa”, a salada com batata, cenoura, ovo e maionese. Como éramos inexperientes, pedimos um chivito para dois, mas a fartura de comida dava tranquilamente para 3 ou até 4 pessoas, dependendo da fome. Alguns lugares permitem que você monte o seu chivito, o que é bem interessante se você não gosta de algum ingrediente nos propostos pelo restaurante ou lanchonete. Onde comer Chivito: Recoleta (al plato), Chivitos de lo Pepe (tradicional) e Chivitos la Mole (personalizado).

Chivito – Chivitos la Mole

Não comi e fiquei na vontade: Choripan (sanduba com pão, linguiça , picles, salsa criola ou chimichurri). Reparamos que em vários lugares eles servem o Pancho, o cachorro quente mais simples: pão, salsicha tipo frankfurter, ketchup, mostarda e maionese. Comemos uma Frankfurter envolvida no pão de de forma, queijo e presunto no Facal, que é um lugar super tradicional em Montevidéu. Tipo de coisa que eu comeria sempre aqui no Brasil. O pessoal do Uruguai adora este tipo de linguiça.

A parrilla também é um prato que você encontrará por onde for no Uruguai. As carnes uruguaias são famosas e vale pelo menos experimentar um dia durante a viagem. Geralmente os locais que servem parrilla tem vários cortes em separado ou opções “tudão” que vem de tudo (carnes e embutidos – incluindo a morcilla que é um embutido feito a partir de sangue coagulado e gordura, bem diferente do que encontramos em vários estabelecimentos no Brasil, aqui eles se referem a um tipo de linguiça). A carne que comemos estava no ponto certo que Leo indicou e para acompanhar fomos de salada e vinho. A parrilla tudão geralmente vem com legumes assados na brasa sobre a grelha, junto com as carnes. Batata frita acompanha a maioria das parrillas. Onde comer parrilla: La Perdiz.

Parrilla – La Perdiz

Finitos e Milanesas são constantes nos cardápios pelo Uruguai. Os pratos são muito parecidos, a maioria leva uma salada decorativa de alface, tomate e fritas. O finito leva ovo frito por cima do bife e a carne é passada na chapa. Já a milanesa é feita com o empanado de ovo batido e farinha de pão ou panko. Boas opções para almoço. Repararam como eles adoram batata frita e ovo? Onde comer: La Pasiva (finito) e Palemo Viejo (Milanesa)

Finito – La Pasiva

É possível encontrar empanadas facilmente. Mas não comi nenhuma que fosse espetacular. Reparei que eles tem a empanada frita. Comi e achei pesada já que a massa é grossa e puxa muita gordura. Acho bacana a massa mais fina com bastante recheio. Sabores favoritos: a criolla (carne com ovo cozido) e queijo com cebola. Onde comer: Empanadas Carolina / Mercado del Puerto (frita) e Alfajores del Uruguay. Store. (assada). Existem opções nos supermercados como as medialunas (croissant), mas geralmente estão frias, dependendo do sabor não fica bom.

Empanada – Empanadas Carolina

Comemos pizza em Colonia del Sacramento, bastante honesta no La Trattoria Bar. Pizza é bem popular e a massa é mais grossinha e macia. Não tem nada a ver com aquela massa pesada fofona do pizza hut, ela é incrivelmente leve e saborosa. Em alguns lugares vocês podem encontrar a fainá, que é feita com farinha de grão de bico (harina de garbanzo), água, azeite de oliva, sal e pimenta. Eles servem junto com a pizza, como um aperitivo. Não comi mas quero fazer pois adoro grão de bico.

Pizza – La Trattoria Bar

Alfajor é facilmente encontrado. Comemos de várias marcas, a maioria comprados em supermercados. A variedade é grande e eles se concentram na cobertura de chocolate, na Argentina você encontra vários com glacê que o deixa muito doce. Eu prefiro alfajor macio, aqueles que parecem biscoito eu passo. Como é barato e depende do gosto, não indicar uma marca específica, apenas a darem preferência aos de lá, afinal o Havanna é argentino e é mais fácil de encontrar aqui. Os preferidos foram o da marca Black e o Negro da Punta Ballena. Comemos um alfajor “peladinho no café Ganache em Colonia del Sacramento. Café que é uma gracinha por sinal. O alfajor estava bom, mas esperava o alfajor com chocolate. Quem gosta de chocolate sempre espera né? rs

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Alfajor – Ganache

Em nossa primeira refeição tomamos um susto com os valores de refrigerantes, águas e sucos. São caros e isso “nos obrigou” a beber vinho todos os dias no almoço e jantar praticamente todos os dias. Pedimos vinhos de jarra, rendiam uma taça para cada um e eles eram honestos. Tentamos optar pela uva tannat, que é bem comum no Uruguai e mais difícil de encontrar normalmente no Brasil. E confesso que voltamos fãs dos vinhos de lá. Uma coisa que não tomei foi o Médio y Médio, que a mistura do vinho branco com espumante. Comprei uma garrafa no duty free e tomarei aqui. Lorena Martins do jornal O tempo disse que é muito bom, imagino que no verão deve ser a melhor pedida.

Vinho na Jarra – Recoleta

Comidinha no Hotel <3 Supermercados Frog e Disco com bons vinhos

Por fim, jantamos na nossa ultima noite em Montevidéu no restaurante La cocina de Pedro, bem perto do nosso hotel. Lembra que eu comentei que Montevidéu não tem muitos restaurantes sofisticados? Lá não é exatamente sofisticado, mas é mais chiquezinho que a maioria. O cardápio é amplo, vai de parrillas e chivitos a risotos e massas. Carta de vinhos boa, na verdade fomos numa opção mais honesta do nosso último tannat no Uruguai, Leo optou pelo H.Stagnari, uma vinícola bem conceituada. Veio um couvert com pãezinhos bem gostosos, mas nada do outro mundo.Eu comi um risoto de frutos do mar e Leo foi de ravioli. Foi uma das poucas vezes que comi frutos do mar no ponto exato. E farto o prato! A massa do Leo também estava no cozimento certinho, tudo perfeito. Não é alta gastronomia mas é uma comida muito bem feita, atendimento bom e ambiente charmoso.

Risoto – La cocina de Pedro

Ravioli – La cocina de Pedro

Faltou só comentar o passeio e almoço que fizemos na Bodega Bouza. Nele falaremos também sobre a uva tannat. Que gosta de vinho vai gostar do post <3

#viaja: Montevidéu

Recentemente fizemos nossa visita ao Uruguai, oficialmente, República Oriental do Uruguai. A população do país é de aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, sendo que mais da metade vivem na capital, Montevidéu. É também a cidade sede do Mercosul. Fizemos da capital a nossa base de apoio. Não conseguimos ver o mesmo monte que o expedicionário Fernão de Magalhães, aproveitamos que a cidade é bem plana e fizemos todos os passeios à pé. No total da viagem, caminhamos mais de 108 km, sendo que 84% destes em Montevidéu. Chegamos a caminhar 25 km em um único dia. Parece muito, mas parávamos bastante o que tornou tudo mais leve.

Cruzamento no bairro Pocitos

O clima estava ameno, ventava bastante e estava bem agradável para caminhar sem suar. Vale a pena levar um casaco estilo corta vento na mala, inclusive, é uma boa para todas as viagens. Não chegamos a usar o transporte público (andamos apenas à pé, taxi, uber e carro alugado), mas nos pareceu ser precário com poucos ônibus circulando pela cidade em geral nas vias principais e as linhas do metrô não parecem ser muito úteis para os turistas.

Parte Histórica

Ficamos no hotel Ibis (o único da cidade), gostamos da sua localização e infra-estrutura (só faltou um frigobar e ar-condicionado funcional que faria falta se fosse verão). Perto do hotel tínhamos dois supermercados (Disco e Frog) onde fazíamos algumas compras para o café da manhã, vinhos e quitutes para a noite. Logo em frente ao hotel ainda havia uma casa de câmbio e uma pequena loja de vinhos com bons preços. Os vinhos são bem mais baratos que no Brasil, por isso tomamos vinhos todos os dias. Por exemplo, compramos o vinho Pueblo Sol por 110 pesos (12,50 reais), que no Brasil custa 45 reais.

Plaza Independência

Sobre a moeda, a grande maioria dos locais aceita cartão, dinheiro (peso uruguaio, dólar e real). Existem casas de câmbio espalhadas pela cidade toda e recomendo que façam uma pequena pesquisa e tenham uns pesos pois no comércio o pagamento em real é desvantajoso. Logo que chegamos, compramos chips da operadora Antel no aeroporto Carrasco para usarmos internet na rua, inclusive, usamos muito google maps para traçarmos nossas rotas. Dá para baixar o mapa com marcações, mas internet ajuda muito para pesquisas de última hora ou locais que queríamos saber do que se tratava.

Teatro Solis

Compras não são muito vantajosas. Fazendo a conversão poucas coisas valem a pena. Trouxemos vinhos (no duty free do Uruguai tem boas opções de vinhos com a uva tannat), alfajor, geleia de frutas e aproveitamos o duty para comprar itens que são caros aqui como cosméticos e perfumes. Não fomos com objetivo de comprar, mas olhamos algumas coisas e não achamos que valeria a pena gastar. Falarei sobre a moda de Montevideu em um post separado!

Plaza del Entrevero

Comida também não é barata. Na verdade, os valores de pratos são muito parecidos com os que temos no Brasil em restaurantes de médio porte e não vimos muitos restaurantes sofisticados em nossa busca. Focamos também na culinária regional e optamos também por locais frequentados por moradores locais. Mas em geral são pratos fartos que dividimos numa boa. Faremos um post sobre os lugares que fomos e comidas típicas. Uma coisa que nos surpreendeu foi o fato que água, suco e refrigerantes são bem caros em restaurantes, aí optamos por jarras de vinho que rendiam uma taça para cada um ou taça de vinho, dependia da disponibilidade da casa. Os vinhos eram regulares e fora que é bem gostoso comer tomando um vinhozinho né?

Montevidéu é uma cidade segura. Andamos muito, por vários lugares e não vimos muitos mendigos, pedintes e moradores de rua, mesmo em lugares que eu não passaria se fosse em BH. Achamos apenas um pouco complicado a logística para atravessar ruas e avenidas. Raras faixas de pedestre, sinais de muitos tempos (muitos cruzamentos também permitiam conversões à direita e/ou esquerda). Mas os motoristas são bem educados e nos deram passagem inúmeras vezes. Em geral, muita educação por parte do povo.

Praça da Constituição

Fomos a vários lugares que valem a visita. A parte histórica é bem conservada, extremamente charmosa e rende fotos incríveis. Pontos que são imperdíveis: Plaza Independência tem a estátua e mausoléu de Jose Artigas (herói nacional) e no seu entorno tem prédios importantes como o Palácio Salvo, Museu do Governo, Palácio do Governo, Portal da Cidade e o Teatro Sollis. Montevidéu tem muitas praças, mas as que achei mais charmosas foram no Centro Histórico: a praça da constituição tem a Catedral Metropolitana de Montevidéu (vale entrar, é linda por dentro) e a praça Zabala. Aproveite para ir ao Mercado del Puerto para conhecer (e até almoçar, tome cuidado com o assédio dos garçons!) e no pier do porto, tem uma vista bonita da orla.

Para quem gosta de correr e fazer atividades físicas, a orla de Montevidéu é muito bacana para corridas (tem uma maratona famosa) pois tem muitas curvas e tem parques distribuídos pela cidade. Destaco o Rodó que é lindo mas está em manutenção então certos pontos estão fechados e o Battle que é onde fica o estádio Centenário. As praças são inúmeras como disse acima, não são tão pomposas mas é possível encontrar estruturas de academia ao ar livre em várias.

Mercado del Puerto

Pontos que estão distribuidos pela cidade: Letreiro Montevidéu fica na praia de Pocitos, leve uma dose extra de paciência se quer tirar uma boa foto; Shopping Punta Carretas que foi construído no antigo presídio da cidade (bom para ver as lojas de moda local), Sede do Mercosul que fica perto do parque Rodó, Obelisco aos Constituintes que está perto do parque Batlle e a pista de patinação El Cuadrado que fica na quase em frente da Sede do Mercosul. Parques e áreas públicas são muito utilizadas pelos moradores legais, é bem bacana ver a utilização do espaço de uma forma tão intensa.

Letreiro – Praia de Pocitos

Ao final, vimos que dois dias bastariam para Montevidéu. A cidade não tem tantos atrativos, até achei parecida com Belo Horizonte, mas é o tipo de cidade boa para morar. Apesar de ser a capital do país, não tem aquela agitação louca e as pessoas são mais educadas e simples. Leo até brincou que quando aposentarmos podemos morar lá para beber vinho barato todo dia e eu completei que iria para a praia levando a minha cadeirinha para fazer aquele tricot como vi uma vovozinha perto do pier. Vida tranquila…

Faremos mais posts sobre a nossa viagem, separamos para não ficar enorme! <3