#viaja: Bodega Bouza

“I love wine because it is one of the last true things. In a world digitized to distraction, a world where you can’t get out of your pajamas without your cell phone, wine remains utterly primary. Unrushed. The silent music of nature. For eight thousand years, vines clutching the earth have thrust themselves upward toward the sun and given us juicy berries, and ultimately wine. In every sip taken in the present, we drink in the past—the moment in time when those berries were picked; a moment gone but recaptured—and so vivid that our bond with nature is welded deep.”

(Karen MacNeil, The Wine Bible)

“Adoro vinho porque ele é uma das poucas coisas verdadeiras que restam. Em um mundo das distrações digitais, um mundo onde você não consegue deixar o pijama sem levar o celular junto, o vinho permanece absolutamente primário. Sem pressa. A música silenciosa da natureza. Por oito mil anos, os vinhedos agarrados à terra se impuseram em direção ao sol e nos fornecem frutos suculentos, e por fim, vinho. A cada gole tomado no presente, bebemos o passado – o momento em que as uvas foram colhidas; um momento perdido, mas recapturado – e tão vividamente que nossos laços com
a natureza se selam profundamente.”

(Karen MacNeil, A Bíblia do Vinho)

O vinho é uma das bebidas mais antigas feitas pelo homem. Existem evidências de consumo de vinho há mais de 8 mil anos. Por ser alcoólico e assim promover a distanciação da consciência, foi considerado por várias civilizações como algo religioso, fazendo parte de oferendas e rituais. Os gregos e romanos veneravam Dioniso (ou Baco), deus dos vinhos, festas, teatro, ritos religiosos e do êxtase. Os judeus também utilizam vinho em seus rituais religiosos desde os tempos bíblicos. Hoje o vinho faz parte da mesa de muita pessoas, não sendo diferente no Uruguai.

Uva Tannat <3

A uva considerada uva nacional no Uruguai é a uva tannat. Esta uva é originária do sudoeste da França. Entretanto hoje o Uruguai é o maior produtor de tannat. Usualmente envelhecida em carvalho, para criar maciez, o tannat pode ser rico, com sabor que preenche a boca, com sabor de cereja negra, chocolate e espresso. No Uruguai é o vinho de uva tannat é considerado o melhor acompanhamento para a parrillas. Além delas, no país também são produzidas as uvas merlot, cabernet sauvignon, chardonnay, sauvignon blanc e petit manseng. São consideradas as melhores vinícolas: Stagnari, Bouza, Garzon, Pizzorno, Pisano, e Juanicó.

Tonéis de carvalho

Aproveitamos uma dia em que a previsão do tempo era nublado, com possibilidade de chuva, e fomos à Bogeda Bouza. Acabou que não choveu e o clima levemente nublado foi ótimo para este passeio. Queríamos conhecer esta vinícola renomada e muito procurada pelos turistas. Iríamos ver o processo de produção do vinho (nada muito complexo e bem artesanal) e degustar os vinhos da casa. A base da bebida é uva e tempo. A uva é a base, o substrato para criar uma ótima bebida. O tempo acentua e faz o sabor característico do vinho, traz suas peculiaridades e nuances.

Restaurante

A plantação é loteada, dividida em áreas. Ao longo do processo, é feito o rastreamento do local de onde vieram as uvas. Esta informação está presente nos tonéis e depois vai parar no rótulo das garrafas. Assim é possível saber exatamente de onde veio a uva do vinho que está sobre a mesa. O solo, o clima da região e as mudanças climáticas influenciam na qualidade da uva produzida. Durante o tour fomos informados que o ano de 2015 foi um ano de produção de boas uvas. Esta é outra informação, que nem todos conhecem, mas que também é encontrada nos rótulos. A bodega possui um acervo dos vinhos que foram produzidos, uma enoteca. Algumas (ou várias) garrafas de cada safra são guardadas neste acervo. Ao longo dos anos eles vão abrindo essa garrafas para averiguar o sabor do vinho ao longo do tempo. As melhores uvas são reservadas para fazer os vinhos especiais, chamados de parcela única. Já os vinhos com denominação reserva são aqueles que passaram por mais tempo pelo processo de maturação que variam de acordo com a legislação do país produtor.

Coleção de carros antigos

O tour na Bodega Bouza é curto, as instalações são pequenas e localizadas ao lado da sede. Começamos pelas parreiras, com explicações sobre a técnica do plantio, colheita e até provar algumas uvas tannat direto do pé. Em seguida fomos ao prédio da vinícola, onde vimos o local de maceração e vinificação, processo em que ocorre a fermentação. Em seguida o vinho passa para a fase de maturação, sendo então armazenado em tonéis ou barris, sendo complementada por um período de maturação em garrafa. O tour do vinho se interrompe aqui e fomos ao salão onde encontra-se a coleção de automóveis antigos do proprietário da vinícola. São mais de 30 carros e motocicletas que datam a partir de 1920.

Degustação com acompanhamentos

Encerrada a visita histórica aos automóveis, voltamos para a sede da Bouza onde fizemos uma degustação de 4 vinhos (Chardonnay 2016, Tempranillo Tannat 2015, Tannat Merlot Tempranillo (2015), Parcela única Merlot 89 (2015), Tannat, Albariño, Chardonnay, Tempranillo), acompanhado queijos e salames. Como foram 4 taças pequenas de degustação, aproveitamos as mesmas para acompanhar também o almoço. Fomos de Lasanha Bolonhesa e Fetuccini. Ambos estavam muito bons. O Menu e os preços estão disponíveis no site da Bodega (http://www.bodegabouza.com/). Vale ainda ressaltar que o atendimento foi sempre cortês e ao final você pode aproveitar para passar na lojinha e levar um vinho para casa. Se a mala já estiver cheia, na volta você poderá comprar alguns vinhos da Bouza no DutyFree.

Pratos que comemos no almoço

Como a Bodega é um pouco afastada da cidade (20 km do nosso hotel), preferimos ir e voltar de uber/taxi. Assim podíamos degustar os vinhos sem problema e o preço saiu aproximadamente 40 reais cada trecho. Será mais fácil ir de Uber e voltar de taxi já que a vinícola é mais afastada e são poucas chances de pegar um uber facilmente. Caso não consiga por aplicativo, basta pedir ao pessoal do restaurante que eles chamam para você.

Onde comprar vinhos tannat no Brasil? Não existem muitas opções de vinhos uruguaios no Brasil, mas procurando acabamos encontrando alguns. Por exemplo, encontramos vinhos tannat uruguaios das seguintes vinícolas (lojas): Pueblo del Sol (Wine), Don Pascual (Wine e Evino), Narbona (Wine), Viñedo de Los Vientos (Wine), Carrau (Wine e Vinhosite).

E para ver os posts sobre a viagem ao Uruguai, basta clicar aqui!

Texto por Leonardo Araújo. Fotos Leo e Camila

#viaja: Punta del Este | Uruguai

Como comentamos no post “Colonia del Sacramento” (clique para ler!), escolhemos duas cidades fora Montevidéu para conhecer no Uruguai. Já falamos de Colonia e agora é a hora de contar sobre Punta del Este, uma cidade que é super conhecida pelos Brasileiros.

Punta del Este é um balneário de luxo que ganhou fama tanto pela sua infraestrutura como com pelos visitantes ilustres. A Villa Ituzaingó foi fundada em 1829 por Don Francisco Aguilar em 1907 passou a se chamar Punta del Este. Além das praias, a cidade conta com atrativos como o cassino Conrad, noite agitada e comércio de luxo. Nós chegamos em Punta de carro, mas também é bem interessante chegar no Uruguai através de Punta e seguir para Montevidéu.

Carro que alugamos, o Tic-tac rs

Assim como em Sacramento, vários lugares estavam fechados, principalmente na região de La Barra. Fomos e voltamos, nem um gelato do Freddo conseguimos tomar, os três que tinham estavam fechados. Queríamos um lugar bacana e terminamos no Burguer King. Comemos um sanduíche que levava cebola caramelizada, um que não tem no Brasil. Podia ter mais cebola… Mas valeu a experiência, agora vamos ver os dias que as “cidades abrem” nas próximas viagens.

Porto de Punta

Visitamos o porto de Punta, cheio de barcos e iates bacanas, bem perto tem a Plazoleta Gran Bretaña que tem uma vista bem bonita do litoral. Subimos e fomos ao Farol, este não tinha como subir, só rendeu fotos mesmo. Chegando na Praya Brava, fomos conhecer o  Monumento Los Dedos, que deve ser o ponto turístico mais famosos de Punta. Também é chamado de La Mano, Dedos de Punta del Este ou Monumento ao Ahogado e foi feito pelo artista chileno Mario Irrazabál em 1982 , durante o Primeiro Encontro Internacional de Escultura Moderna ao Ar Livre de Punta del Este. Passamos na porta do complexo Conrad (Hotel e Cassino) mas nem fotos fizemos, é bem bonito e grandioso, bem como mostrava no programa do Amauri Jr (rs).

Monumento Los dedos

Completamos nosso passeio na Casa Pueblo, outro ponto turístico famoso de Punta. O artista uruguaio Carlos Paez Vilaró construiu a Casa Pueblo para ser sua casa de veraneio e atelier. Hoje funciona como Hotel, museu (paga-se entrada) e tem um café e restaurante lá dentro. Sendo MUITO sincera, não achei que vale a pena pagar para entrar, a parte do museu é pequena e muito focada em vendas de pequenos originais e reproduções. Fora que ao lado tem um espaço que você pode contemplar a vista e pôr do sol da mesma forma. Em tempo, o café é sofrível e tem um valor mínimo de consumação para pagamento em cartão de crédito. Para o turista isso é ruim. No Uruguai temos abatimento de impostos no pagamento de diárias em hotéis, aluguel de carro e em restaurantes, ao pagar em dinheiro eles não fazem este desconto.

Vista da Casa Pueblo

Talvez trocasse o passeio em Punta pela visita na Bodega Garzon que ficava bem próximo. O problema é que perdemos bastante tempo procurando os lugares abertos, isso desmotiva. Daria para fazer Punta + Gar Meu primo comentou que gostou muito da cidadezinha de Jose Ignácio, que era um vilarejo de pescadores próximo a Punta e se tornou um destino para quem quer fugir da badalação do balneário.

#viaja: Colonia del Sacramento | Uruguai

Quando programamos nossa viagem, selecionamos Punta e Colonia para conhecer. A ideia era alugar um carro e ir cada dia numa cidade, já que as distâncias não são tão longas: 132 km até Punta e 181 km até Colonia. As estradas são bem sinalizadas e boas. Pegamos um carro mais econômico já que éramos só Leo e eu, porém gasolina no Uruguai é bem cara. Para os dois trechos há a cobrança de pedágio, eles aceitam real. Existe um ônibus turístico (translado + tour + guia) que leva até as duas cidades, mas sairia mais caro para duas pessoas. Para quem está sozinho é uma boa opção.

Reparamos que ambas cidades, durante a semana, ficam muito paradas, vários lugares fechados. Punta é uma cidade muito animada no verão e Colonia deve ser interessante à noite em função dos inúmeros restaurantes. Li que nos finais de semana o movimento é maior e o comércio abre. Tentamos ir a alguns museus e procuramos alguns restaurantes pesquisados previamente e estavam fechados. Melhor buscar visitar as cidades na época de temporada ou nos finais de semana. Pelo que vimos, não tem necessidade de reservar muitos dias para as cidades, um só basta.

Como disse acima, Colonia del Sacramento lembra bastante Paraty e isso vem por conta da colonização portuguesa, a única no Uruguai. Sua fundação foi em 1680 e o centro histórico é pequeno, mas muito bem conservado e limpo. Em 1995, a cidade de Colonia del Sacramento recebeu o título de Patrimônio Cultural e Natural Mundial pela UNESCO.

Diferente de Paraty, a circulação de carros é permitida em Sacramento, mas quem dirige sempre perde os detalhes bacanas das casinhas e comércio local. Basta só parar mais perto do centro histórico, estacionamos sem dificuldade. Recomendo sapatos baixos e confortáveis para a caminhada, pois as ruas de Colonia são feitas de pedras irregulares, quem vai de salto deve sofrer bastante.

Vale a visita à Plaza Mayor, logo em frente tem o Farol que é lindo. Para subir tem que pagar. Nas redondezas da Plaza Mayor existem museus pequenos, como o Português e Municipal. Uma dica é ver o dia e horário de funcionamento para não perder viagem, ambos museus estavam fechados assim como alguns lugares que passamos durante a nossa viagem. Também vale a pena ficar esperto pois a grande parte de lojas de souvenir não aceitava cartão e vinham com aquela conversão mega desfavorável. Aproveite a proximidade e vá até a Calle del Suspiros, a rua mais antiga de Colonia. O Portón de Campo era um dos principais acessos de Colonia na época da colonização Portuguesa e é composto pela muralha de São Miguel, portões e uma ponte levadiça. Quem descer no rumo da muralha verá canhões usados na proteção da cidade.

Já do outro lado, a Plaza das Armas é menor e tem a Basílica del Santíssimo Sacramento, que é uma igreja mais simples. Perto do rio vale a visita no píer dos iates e no Teatro Bastion Del Carmèn, o ponto rende fotos bem lindas. Minha cunhada foi para Buenos Aires através de Colonia, ela fez a visita e no final da tarde pegou o barco para atravessar o rio. Durante a minha pesquisa, vi que várias locadoras de veículos tem ponto de entrega em Colonia, então dá para ir, deixar o carro, conhecer a cidade e ir para Buenos Aires.

Nós almoçamos no La Trattoria. O custo x benefício foi bom. Comemos pizza e reparei na massa que é mais grossinha e macia. Como disse no post sobre comer e beber no Uruguai, a massa não tem nada a ver com aquela massa pesada fofona do Pizza Hut, ela é incrivelmente leve e saborosa. Leo pediu pepperoni e eu fui num sabor que tinha presunto e azeitonas. Estava deliciosa. E tomamos vinho para não perder o hábito. Também tomamos um café no café Ganache. Na verdade eu tomei um cappuccino com alfajor e Leo foi de chocolate quente.

O próximo post é sobre Punta del Este <3 Para quem ainda não leu, já estão disponíveis os posts sobre Montevidéu (clica aqui!) e Comer e beber no Uruguai (clica aqui!)

#viaja: Montevidéu

Recentemente fizemos nossa visita ao Uruguai, oficialmente, República Oriental do Uruguai. A população do país é de aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, sendo que mais da metade vivem na capital, Montevidéu. É também a cidade sede do Mercosul. Fizemos da capital a nossa base de apoio. Não conseguimos ver o mesmo monte que o expedicionário Fernão de Magalhães, aproveitamos que a cidade é bem plana e fizemos todos os passeios à pé. No total da viagem, caminhamos mais de 108 km, sendo que 84% destes em Montevidéu. Chegamos a caminhar 25 km em um único dia. Parece muito, mas parávamos bastante o que tornou tudo mais leve.

Cruzamento no bairro Pocitos

O clima estava ameno, ventava bastante e estava bem agradável para caminhar sem suar. Vale a pena levar um casaco estilo corta vento na mala, inclusive, é uma boa para todas as viagens. Não chegamos a usar o transporte público (andamos apenas à pé, taxi, uber e carro alugado), mas nos pareceu ser precário com poucos ônibus circulando pela cidade em geral nas vias principais e as linhas do metrô não parecem ser muito úteis para os turistas.

Parte Histórica

Ficamos no hotel Ibis (o único da cidade), gostamos da sua localização e infra-estrutura (só faltou um frigobar e ar-condicionado funcional que faria falta se fosse verão). Perto do hotel tínhamos dois supermercados (Disco e Frog) onde fazíamos algumas compras para o café da manhã, vinhos e quitutes para a noite. Logo em frente ao hotel ainda havia uma casa de câmbio e uma pequena loja de vinhos com bons preços. Os vinhos são bem mais baratos que no Brasil, por isso tomamos vinhos todos os dias. Por exemplo, compramos o vinho Pueblo Sol por 110 pesos (12,50 reais), que no Brasil custa 45 reais.

Plaza Independência

Sobre a moeda, a grande maioria dos locais aceita cartão, dinheiro (peso uruguaio, dólar e real). Existem casas de câmbio espalhadas pela cidade toda e recomendo que façam uma pequena pesquisa e tenham uns pesos pois no comércio o pagamento em real é desvantajoso. Logo que chegamos, compramos chips da operadora Antel no aeroporto Carrasco para usarmos internet na rua, inclusive, usamos muito google maps para traçarmos nossas rotas. Dá para baixar o mapa com marcações, mas internet ajuda muito para pesquisas de última hora ou locais que queríamos saber do que se tratava.

Teatro Solis

Compras não são muito vantajosas. Fazendo a conversão poucas coisas valem a pena. Trouxemos vinhos (no duty free do Uruguai tem boas opções de vinhos com a uva tannat), alfajor, geleia de frutas e aproveitamos o duty para comprar itens que são caros aqui como cosméticos e perfumes. Não fomos com objetivo de comprar, mas olhamos algumas coisas e não achamos que valeria a pena gastar. Falarei sobre a moda de Montevideu em um post separado!

Plaza del Entrevero

Comida também não é barata. Na verdade, os valores de pratos são muito parecidos com os que temos no Brasil em restaurantes de médio porte e não vimos muitos restaurantes sofisticados em nossa busca. Focamos também na culinária regional e optamos também por locais frequentados por moradores locais. Mas em geral são pratos fartos que dividimos numa boa. Faremos um post sobre os lugares que fomos e comidas típicas. Uma coisa que nos surpreendeu foi o fato que água, suco e refrigerantes são bem caros em restaurantes, aí optamos por jarras de vinho que rendiam uma taça para cada um ou taça de vinho, dependia da disponibilidade da casa. Os vinhos eram regulares e fora que é bem gostoso comer tomando um vinhozinho né?

Montevidéu é uma cidade segura. Andamos muito, por vários lugares e não vimos muitos mendigos, pedintes e moradores de rua, mesmo em lugares que eu não passaria se fosse em BH. Achamos apenas um pouco complicado a logística para atravessar ruas e avenidas. Raras faixas de pedestre, sinais de muitos tempos (muitos cruzamentos também permitiam conversões à direita e/ou esquerda). Mas os motoristas são bem educados e nos deram passagem inúmeras vezes. Em geral, muita educação por parte do povo.

Praça da Constituição

Fomos a vários lugares que valem a visita. A parte histórica é bem conservada, extremamente charmosa e rende fotos incríveis. Pontos que são imperdíveis: Plaza Independência tem a estátua e mausoléu de Jose Artigas (herói nacional) e no seu entorno tem prédios importantes como o Palácio Salvo, Museu do Governo, Palácio do Governo, Portal da Cidade e o Teatro Sollis. Montevidéu tem muitas praças, mas as que achei mais charmosas foram no Centro Histórico: a praça da constituição tem a Catedral Metropolitana de Montevidéu (vale entrar, é linda por dentro) e a praça Zabala. Aproveite para ir ao Mercado del Puerto para conhecer (e até almoçar, tome cuidado com o assédio dos garçons!) e no pier do porto, tem uma vista bonita da orla.

Para quem gosta de correr e fazer atividades físicas, a orla de Montevidéu é muito bacana para corridas (tem uma maratona famosa) pois tem muitas curvas e tem parques distribuídos pela cidade. Destaco o Rodó que é lindo mas está em manutenção então certos pontos estão fechados e o Battle que é onde fica o estádio Centenário. As praças são inúmeras como disse acima, não são tão pomposas mas é possível encontrar estruturas de academia ao ar livre em várias.

Mercado del Puerto

Pontos que estão distribuidos pela cidade: Letreiro Montevidéu fica na praia de Pocitos, leve uma dose extra de paciência se quer tirar uma boa foto; Shopping Punta Carretas que foi construído no antigo presídio da cidade (bom para ver as lojas de moda local), Sede do Mercosul que fica perto do parque Rodó, Obelisco aos Constituintes que está perto do parque Batlle e a pista de patinação El Cuadrado que fica na quase em frente da Sede do Mercosul. Parques e áreas públicas são muito utilizadas pelos moradores legais, é bem bacana ver a utilização do espaço de uma forma tão intensa.

Letreiro – Praia de Pocitos

Ao final, vimos que dois dias bastariam para Montevidéu. A cidade não tem tantos atrativos, até achei parecida com Belo Horizonte, mas é o tipo de cidade boa para morar. Apesar de ser a capital do país, não tem aquela agitação louca e as pessoas são mais educadas e simples. Leo até brincou que quando aposentarmos podemos morar lá para beber vinho barato todo dia e eu completei que iria para a praia levando a minha cadeirinha para fazer aquele tricot como vi uma vovozinha perto do pier. Vida tranquila…

Faremos mais posts sobre a nossa viagem, separamos para não ficar enorme! <3

#viaja: Tiradentes por Mariana Celle

Tiradentes sempre foi, durante minha infância e adolescência, o “jardim de casa”. Isso porque eu nasci e cresci na cidade vizinha, Dores de Campos (30 minutinhos de lá). Lembro de ir com meus avós para a cidade e fazer piquenique no Largo das Mercês ou de reunir a família para um almoço diferente no domingo. Mais na fase adulta, trabalhando com gastronomia e depois também com turismo, a cidade ganhou amplitude. E hoje, como jornalista, além de Tiradentes ofertar opções para um jantar especial ou um passeio gostoso, ela também se apresenta para mim como um lugar que, apesar de tão pequeno, se mostra muito grande e rico em possibilidades e novas descobertas.

Bem, primeiro item: onde me aconchegar? Como sou “dali do lado” nem sempre fico na cidade para me hospedar. Sendo assim vou contar de dois locais onde já fiquei e que têm perfis diferentes, porém, cada um atende bem de acordo com a intenção do hóspede. Se o desejo é por ficar pertinho do centro e gastar pouco, a dica é optar por pousadinhas familiares que oferecem o básico em conforto e café da manhã, como a Pousada Elisa . Não há luxo, mas é limpa e tem uma ótima localização para quem prefere não depender de transporte.

Já se seu interesse é por uma viagem que preze pelo bem-estar, não deixe de se hospedar na Aromas da Montanha. Com sofisticação, mas sem frescura, a equipe da pousada consegue oferecer uma hospedagem inesquecível. Cada detalhe se apresenta como uma forma de atenção e carinho que vão da recepção, passam pela cozinha e seus deliciosos preparos caseiros, até toda a estrutura do quarto e seguem até o jardim encantador ao fundo. Por lá há piscina, hortinha de ervas e ainda a possibilidade de se observar belos pássaros enquanto toma um chá ao cair da tarde. Ela também não é tão distante do centro (aproximadamente 5 minutos de carro), porém fica em uma região mais reservada. O que pode ser muito bom também quando se quer descansar de verdade.

Além dessas, há ainda muitas outras opções para os mais variados bolsos e interesses. Se ficar em dúvida, vale à pena acessar a fanpage da Asset – Associação Empresarial de Tiradentes e começar a escolher por lá. 

Depois de definir onde se hospedar, você deve pensar: como me locomover? Eu gosto de caminhar e, apesar de ter algumas ladeiras pelo trajeto até pontos turísticos como a Matriz de Santo Antônio e o Museu da Liturgia, por exemplo, a paisagem compensa. De todo modo, invista em roupas e calçados bem confortáveis. Esqueça o salto e mantenha um casaco leve ou um lenço na bolsa, pois mesmo nos dias quentes, ao anoitecer as temperaturas costumam cair e fica friozinho. Se você for se hospedar ou visitar algum lugar mais distante, há taxistas na cidade. Se a intenção for por um passeio ao redor do município, indico alguns serviços. Veja só:

Uai Trip (Contato: Dalton | http://www.uaitrip.com.br/), Agência Terrestres Brasil  (Contato: Wladimir Loyola operacional@terrestresbrasil.com.br – (32) 98899-3555), Eco-Guia com Jardel da Montanha (Contato: Jardel Zamboni jardel.spocher@hotmail.com – (32) 9 9117-4657)

Esses contatos poderão te apresentar Tiradentes e região por outro olhar: o do ecoturismo, a partir de passeios na Serra de São José, onde há trilhas diversas para serem feitas a pé, de carro ou de quadriciclo. Por lá a natureza é ainda mais exuberante com cachoeiras, aves, plantas, entre outros atrativos, partindo de Tiradentes e visitando municípios limítrofes como Santa Cruz de Minas e Prados.

Aliás, falando em Prados há dois pontos que merecem destaque. Vamos começar pelo artesanato de Vitoriano Veloso, distrito da cidade mais conhecido como Bichinho. Gaste uma tarde lá observando o trabalho dos artesãos. Vale à pena! Antes de ir, passe na casa da simpática família produtora dos “Doces do Bichinho” e não deixe de experimentar o canudo de doce de leite e a goiabada cascão. Aliás, tudo lá é muito bom! Esses são apenas os meus preferidos.

Outra visita que faz parte de Prados é um almoço no restaurante Grotão, na zona rural da cidade. Ele serve comida caseira e deliciosa em uma paisagem rural bem próxima da natureza, com quiosques pelo espaço e um moinho d’água onde é feito o fubá usado na receita do tutu à mineira. Antes de começar, peça a porção de torresmo com uma caipirinha. Deliciosa combinação! Para chegar lá, aproveite e vá pela Estrada Parque. Trecho com paisagens lindas que nos leva até uma das partes altas da serra. O pôr-do-sol e o nascer da lua podem ser admirados com esplendor em um dos mirantes pelo trajeto.

Bem, voltando a Tiradentes, tenho três sugestões para se comer muito bem. Aliás, acredito que já esteja sendo perceptível que o quesito “onde comer” é, para mim, um dos pontos altos de qualquer viagem. Por isso aqui vão algumas dicas. Para uma comidinha típica, bem servida e em conta, sempre sugiro o Restaurante do Celso. Um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade, antes chamado de “bar”, o restaurante fica no Largo das Forras, no centro. Lá serve o melhor feijão tropeiro que já comi e olha, garanto que já comi muitos.

Para um jantar especial, a experiência que o Angatu proporciona se vê em poucos lugares. A refeição com entrada prato e sobremesa talvez exija um investimento financeiro maior, mas vale com certeza a visita. O chef Rodolfo Mayer foi indicado recentemente pelo Infood como “um dos cozinheiros que devem brilhar em 2017”, na opinião dos renomados Laurent Suaudeau, Emmanuel Bassoleil e Claude Troisgros. Porém, antes de ir, vale garantir a reserva.

Se quiser ficar mesmo pela praça central, o Templário – Restaurante e Choperia costuma ter música ao vivo de qualidade com músicos da região tocando MPB e Bossa Nova. No cardápio, há petiscos mais tradicionais mesclados a receitas com toque alemão, como o misto de salsichas com trio de mostardas (escura, amarela e doce). Bom para um happy hour sob os ombrelones na varanda.

Durante o dia, além dos muitos museus, igrejas e arquitetura colonial encantadora, que são imperdíveis, há roteiros para os interessados em conhecerem mais sobre as artes locais em outros aspectos. O Sr. Tião Paineira é uma personalidade que faz belas peças de cerâmica. Ele anda meio adoentado, “já são muitos janeiros nas costas”, como bem disse certa vez o historiador e escritor tiradentino Luiz Cruz. De todo modo, não deixe de visitar a família. O atelier fica na Rua Alvarenga Peixoto, no Bairro Cuiabá (é a rua que sai de Tiradentes em direção ao Bichinho. Indo, fica à esquerda). Lá é possível encontrar também a produção do Zé Paineira, filho do Tião que muito bem aprendeu o ofício com o pai e, atualmente, reproduz exemplares da arquitetura local. As filhas de Tião ainda fazem geleias deliciosas, uma delas é a “marmalade”, feita com o suco e a casca da laranja. Excelente opção para acompanhar pães, roscas e também assados, especialmente o lombo de porco. Uma combinação irresistível!

Outro segmento que merece atenção é o ramo moveleiro. Entre opções diversas, destaco os móveis da marca Divinas Gerais . Lindas peças com personalidade feita por uma família que coloca amor no que faz e reflete isso em seu produto. Do mesmo modo, outro cantinho que me encanta e sempre vou é na Marcas Mineiras Loja e Café. Nem sempre para comprar, mas opção certeira para um café acompanhado de bolo caseiro naquela deliciosa pausa do dia. Não se espante e opte pelo de abobrinha acompanhado por lemon curd. Surpreendente! Além das delícias da cafeteria, a loja, instalada em uma casa com lindos jardim e quintal, revela em cada cômodo belos produtos em cama e mesa, todos confeccionados artesanalmente e bordados à mão. Ainda há outros genuinamente mineiros comercializados em parceria com marcas como a tradicional Cristais C’adoro.

Por último, caso queira levar uma lembrança para compartilhar em casa e recordar a cidade e também Minas, visite a Queijaria Ouro Canastra. Ela fica na Rua Direita e reserva deliciosos e surpreendentes queijos da região e de todo o estado. Por lá, você ainda bate uma prosa com os proprietários enquanto aprecia uma cerveja artesanal.

Seja bem-vindo e bom apetite!

Obrigada Mari, seu post é irresistível! Aposto que muita gente ficará com muita vontade de ir a Tiradentes <3